quarta-feira, 18 de março de 2015

Relatório de fevereiro

Por Aileu vamos andando...

As nossas sementinhas continuam assíduas e preparam-se agora para os exames de avaliação que iniciam na próxima semana, antes de entrarmos de férias da Páscoa.


Neste último mês:

- ficámos sem a nossa cozinheira devido à falta de pagamento por parte do Ministério da Saúde. A Lourença, Mafalda e Lúcia vão-se revezando;

- recebemos a visita da Diretora Nacional para o Ensino Pré-Escolar que elogiou os nossos métodos e materiais;

- a D. Lúcia foi a uma reunião em Díli para falar sobre a merenda escolar. Foi-nos dito que não há dinheiro, mas que quando houver teremos de ter uma conta aberta especificamente com o nome da escola... não sei se será possível.

- a chuva continua intensa e, com ela, as inundações na sala da D. Lúcia.... Uma escola nova PRECISA-SE!

- com as chuvas, os ratos... a estratégia é agora deixar comida fora do edifício da escola para ver se não entram à procura dela... sinceramente acho que não está a funcionar se todos os dias aparece mais uma caixa roída...

O ATL é que anda "meio tremido", mas nada que não se resolva facilmente. Sabemos que temos a motivação das crianças e isso é o mais importante.

Até já!



quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Ainda início do novo ano

Balanço ao final da segunda semana:
32 sementinhas "estáveis" e mais umas quantas ainda indecisas....

Mantém-se: choro, e muito! Continuamos nas semanas em que é necessário sermos criativos, ensinar que não se cospe para o chão da sala, que os "acidentes" acontecem mas não se devem repetir. Ah, a magia do primeiro mês!

Enquanto aguardamos o apoio do ministério para a merenda escolar, a despesa fica a nosso cargo. No entanto, a nossa cozinheira achou que não tinha de cozinhar alimentos que não foram dados pelo ministério e decidiu ficar em casa, e diz que só vai quando chegar o apoio do ministério. A boa notícia: o salário dela é pago pelo ministério. A má notícia: não temos qualquer controlo sobre ela. Com a sorte que tivemos no ano passado, ela é capaz de ficar o ano todo em casa.

Desenvolvimentos em breve...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Início de ano

Iniciámos esta semana o 7.º ano letivo d'As Sementinhas - ainda muito lentamente como é habitual. Para já 22 novas crianças inscritas, para além das que passaram para a 2.ª infantil... 
Mas é difícil dizer ainda quantas crianças temos... As únicas certezas: muitos choros para os próximos dois meses!


A D. Lúcia esteve sozinha, porque a Mafalda e Lourença (e a Francisca, claro!) foram fazer formação a Díli.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Até já

O "até já" é sempre difícil quando o "já" é indefinido.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A nossa horta!

Ontem estive com a Mana Joana... já não falávamos há imenso tempo, desde o tempo em que eu saí de Aileu para Díli e ela para Kupang para estudar.



A Mana Joana é uma "cofundadora" d'As Sementinhas. Foi ela quem me ensinou a usar produtos naturais para fabricar materiais, como tintas, pasta-de-dentes e cola. Andávamos pela estrada fora à procura de materiais para os testarmos em casa.



Uma vez até participámos numa feira de produtos locais!



Ontem, a Mana Joana recordou um episódio que aconteceu logo no início e que já nem me lembrava. Para quem não acompanhou o nosso percurso desde 2008 (o blog só foi lançado em 2009) fica a saber que tínhamos uma horta!!!


A horta foi um projeto ambicioso meu, com objetivos bastante válidos, mas de facto muito ambicioso. Com a horta, pretendia-se: ensinar as crianças a valorizar a terra, envolver os pais na atividade da escola e garantir alguma sustentabilidade à escola para reduzir os custos de alimentação das crianças. Os pais ajudaram-nos a trabalhar inicialmente a terra, e plantávamos e regávamos a horta juntamente com as crianças.


Chegámos a produzir algumas coisas e até as consumimos. Nasceu milho, feijão, feijão-verde, salsa e repolho.

 Tomate
 Repolho
 Cebola
 Milho
Feijão-verde

Como não tínhamos dinheiro, fizemos uma cerca de estacas de mandioca. Não era forte, mas afugentava pelo menos as galinhas.

A terra de Aileu não é muito difícil de cultivar pelo facto de ser muito barrenta. Em muitas alturas do ano não tínhamos água (aqui teríamos também muitas histórias para contar). Basicamente era um trabalho a tempo inteiro e fisicamente cansativo.

Um dia, chego à horta e está uma cabra, toda contente, a comer os feijões. O campo de repolho já tinha marcas de passagem. Esse foi o meu momento de "breakdown" (não consigo encontrar uma palavra em português que defina melhor o meu sentimento). Comecei a chorar. Estava cansada e achei uma injustiça tanto trabalho ter ido por água abaixo apenas porque alguém decidiu que não era necessário amarrar o animal. Sempre com a minha atitude de "ninguém me pisa", agarrei na cabra e fi-la refém. Amarrei-a atrás da minha casa e esperei que o dono viesse à procura dela.

Toda a gente se ria de mim e eu chorava...

Já não me lembro do fim da história, a Mana Joana também não se lembrava, mas penso que o dono veio à procura da cabra e as manas falaram com ele, porque o meu tétum, na altura, era ainda muito rudimentar para uma boa conversa.

Depois da cabra, seguiu-se uma tentativa de reconstrução da cerca e novas plantações, mas também muitas galinhas, porcos e vacas... "Mana, o melhor não é prender os animais. O melhor é não fazer a horta."
A salsa também foi arrancada por acharem que era erva daninha (a salsa timorense não tem cheiro).
Entretanto surgiu a minha ida para Díli e achei que era um peso demasiado grande para as professoras, os pais apareciam apenas de vez em quando e não tínhamos dinheiro para pagar a uma pessoa que só trabalhasse na horta.

O percurso da Casa Aberta às Crianças é rico em histórias iguais a esta. É para mim um privilégio ter uma mala feita de tantas histórias e experiências que me foram moldando como pessoa.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Festa de finalistas 2014

Este sábado, a Casa Aberta às Crianças estava em grande azáfama quando lá chegámos, eram cerca das 11h30, apenas hora e meia de viagem graças ao 28 de novembro (Proclamação da Independência) que será celebrado este ano em Aileu, pelo que os buracos da estrada estavam todos tapados. Viva!

Festejámos este sábado o fim de mais um ano escolar... o 6.º !!!!

Na cozinha já se sentia o cheio da folha de mandioca cozinhada...

Não nos queriam na cozinha, mas também ainda havia tanto por fazer noutros locais que pusemos logo as mãos à obra.

Os miúdos quiseram ajudar nos preparativos. Era preciso afixar as fotografias que retratavam o ano escolar. Claro que era muito mais engraçado ver as fotos do que propriamente ajudar a colá-las. 

Como é habitual, fizemos a nossa "Feira de Natal". Alguns artigos nem tiveram tempo de chegar ao posto de venda. Com isto fizemos 14 dólares a vender artigos por $0,50. "Mana, temos de aumentar os preços, porque para a semana é o 28 de novembro e todas querem comprar coisas para irem bonitas." Deixei ao critério delas!

Os mais pequenos não se interessaram muito pelas compras e ficaram a admirar-se nas fotografias.

Os nossos finalistas, ou seja, as crianças que terminaram As Sementinhas e que vão agora para a 1.ª classe, tiveram lugar privilegiado. Com o tempo, as professoras têm vindo ficar mais profissionais no que toca à organização das festas. Nesta foto ainda estão todas bem sentadas e os chapéus no lugar, mas não demorou muito até se instaurar a confusão.

A entrega dos certificados foi um momento imponente. Os miúdos deliravam. Sentiam-se importantes! O protocolo era: 1.º receber o certificado, 2.º passar a fita da cartola para a esquerda para demonstrar que tinham passado de ano, 3.º pedir a benção às professoras, ao representante dos pais e à representante do ISMAIK, e 4.º receber a pasta dos desenhos.

Foi declamada ainda uma poesia...
 
e cantadas algumas músicas.

No fim, partiu-se o bolo em conjunto, como manda o protocolo.

Delírio delírio foi a distribuição de balões (que não insuflavam) e de chupas e, principalmente, as bolas de sabão. Era ver quem é que saltava mais alto para as rebentar.

O resultado deve-se a estas quatro professoras que, mais uma vez, foram incansáveis. É um orgulho ver o caminho que já percorreram.


Ficam aqui algumas fotografias que demonstram o quão maravilhoso foi este dia. Que muitos destes se repitam!















Um sonho realizado!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O primeiro!

O primeiro (atrevo-me a dizer, em Timor) manual de trabalhos manuais em tétum, made by As Sementinhas :)

Sentimento de obra feita!