sexta-feira, 8 de maio de 2015

Onda de solidariedade

Este ano, o Natal chegou mais cedo à Casa Aberta!!

A onda de solidariedade que se vai gerando em torno desta Casa é simplesmente divina.

Graças à contribuição de muitos, vai uma mala cheia para Timor esta segunda-feira. Os preparativos já começaram.




Lápis, marcadores, aguarelas, afias, material de costura, borrachas, cola etc. Não temos palavras!

Queremos agradecer a todos os que nos querem bem e que sempre nos ajudaram - material ou espiritualmente (e que nem sempre mencionamos). Não esquecemos o coração generoso de muitos!

Relativamente a este carregamento, queremos agradecer às seguintes pessoas:
- Helder Galante
- Isabel Araújo
- Mónica Soares
- Maria João Manaia
- Deolinda Galante
- Paula Teixeira e à sua escola
- Esperança e ao seu grupo de catequese da Igreja da Lapa
- Ana Isabel e ao seu grupo de catequese da Igreja da Lapa
- Ana Luísa Cardoso que mobilizou a campanha entre os seus contactos

Em breve teremos mais fotografias!


Caso não teve oportunidade de enviar material, mas gostaria de o fazer, poderá fazê-lo posteriormente. Seguirá outro carregamento entre agosto e dezembro deste ano.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Carregamento para Timor

Caros leitores, 

Daqui a um mês, a 11 de maio, sai um carregamento de materiais de Portugal para a Casa Aberta às Crianças. Quem quiser contribuir, eis os materiais que precisamos:
- lápis de pau
- lápis de cor
- lápis de cera
- canetas de feltro
- plasticina
- régua, borracha, afia
- pincéis
- cola
- linhas, botões, agulhas


Envie-nos um e-mail!

quarta-feira, 18 de março de 2015

Relatório de fevereiro

Por Aileu vamos andando...

As nossas sementinhas continuam assíduas e preparam-se agora para os exames de avaliação que iniciam na próxima semana, antes de entrarmos de férias da Páscoa.


Neste último mês:

- ficámos sem a nossa cozinheira devido à falta de pagamento por parte do Ministério da Saúde. A Lourença, Mafalda e Lúcia vão-se revezando;

- recebemos a visita da Diretora Nacional para o Ensino Pré-Escolar que elogiou os nossos métodos e materiais;

- a D. Lúcia foi a uma reunião em Díli para falar sobre a merenda escolar. Foi-nos dito que não há dinheiro, mas que quando houver teremos de ter uma conta aberta especificamente com o nome da escola... não sei se será possível.

- a chuva continua intensa e, com ela, as inundações na sala da D. Lúcia.... Uma escola nova PRECISA-SE!

- com as chuvas, os ratos... a estratégia é agora deixar comida fora do edifício da escola para ver se não entram à procura dela... sinceramente acho que não está a funcionar se todos os dias aparece mais uma caixa roída...

O ATL é que anda "meio tremido", mas nada que não se resolva facilmente. Sabemos que temos a motivação das crianças e isso é o mais importante.

Até já!



quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Ainda início do novo ano

Balanço ao final da segunda semana:
32 sementinhas "estáveis" e mais umas quantas ainda indecisas....

Mantém-se: choro, e muito! Continuamos nas semanas em que é necessário sermos criativos, ensinar que não se cospe para o chão da sala, que os "acidentes" acontecem mas não se devem repetir. Ah, a magia do primeiro mês!

Enquanto aguardamos o apoio do ministério para a merenda escolar, a despesa fica a nosso cargo. No entanto, a nossa cozinheira achou que não tinha de cozinhar alimentos que não foram dados pelo ministério e decidiu ficar em casa, e diz que só vai quando chegar o apoio do ministério. A boa notícia: o salário dela é pago pelo ministério. A má notícia: não temos qualquer controlo sobre ela. Com a sorte que tivemos no ano passado, ela é capaz de ficar o ano todo em casa.

Desenvolvimentos em breve...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Início de ano

Iniciámos esta semana o 7.º ano letivo d'As Sementinhas - ainda muito lentamente como é habitual. Para já 22 novas crianças inscritas, para além das que passaram para a 2.ª infantil... 
Mas é difícil dizer ainda quantas crianças temos... As únicas certezas: muitos choros para os próximos dois meses!


A D. Lúcia esteve sozinha, porque a Mafalda e Lourença (e a Francisca, claro!) foram fazer formação a Díli.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Até já

O "até já" é sempre difícil quando o "já" é indefinido.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A nossa horta!

Ontem estive com a Mana Joana... já não falávamos há imenso tempo, desde o tempo em que eu saí de Aileu para Díli e ela para Kupang para estudar.



A Mana Joana é uma "cofundadora" d'As Sementinhas. Foi ela quem me ensinou a usar produtos naturais para fabricar materiais, como tintas, pasta-de-dentes e cola. Andávamos pela estrada fora à procura de materiais para os testarmos em casa.



Uma vez até participámos numa feira de produtos locais!



Ontem, a Mana Joana recordou um episódio que aconteceu logo no início e que já nem me lembrava. Para quem não acompanhou o nosso percurso desde 2008 (o blog só foi lançado em 2009) fica a saber que tínhamos uma horta!!!


A horta foi um projeto ambicioso meu, com objetivos bastante válidos, mas de facto muito ambicioso. Com a horta, pretendia-se: ensinar as crianças a valorizar a terra, envolver os pais na atividade da escola e garantir alguma sustentabilidade à escola para reduzir os custos de alimentação das crianças. Os pais ajudaram-nos a trabalhar inicialmente a terra, e plantávamos e regávamos a horta juntamente com as crianças.


Chegámos a produzir algumas coisas e até as consumimos. Nasceu milho, feijão, feijão-verde, salsa e repolho.

 Tomate
 Repolho
 Cebola
 Milho
Feijão-verde

Como não tínhamos dinheiro, fizemos uma cerca de estacas de mandioca. Não era forte, mas afugentava pelo menos as galinhas.

A terra de Aileu não é muito difícil de cultivar pelo facto de ser muito barrenta. Em muitas alturas do ano não tínhamos água (aqui teríamos também muitas histórias para contar). Basicamente era um trabalho a tempo inteiro e fisicamente cansativo.

Um dia, chego à horta e está uma cabra, toda contente, a comer os feijões. O campo de repolho já tinha marcas de passagem. Esse foi o meu momento de "breakdown" (não consigo encontrar uma palavra em português que defina melhor o meu sentimento). Comecei a chorar. Estava cansada e achei uma injustiça tanto trabalho ter ido por água abaixo apenas porque alguém decidiu que não era necessário amarrar o animal. Sempre com a minha atitude de "ninguém me pisa", agarrei na cabra e fi-la refém. Amarrei-a atrás da minha casa e esperei que o dono viesse à procura dela.

Toda a gente se ria de mim e eu chorava...

Já não me lembro do fim da história, a Mana Joana também não se lembrava, mas penso que o dono veio à procura da cabra e as manas falaram com ele, porque o meu tétum, na altura, era ainda muito rudimentar para uma boa conversa.

Depois da cabra, seguiu-se uma tentativa de reconstrução da cerca e novas plantações, mas também muitas galinhas, porcos e vacas... "Mana, o melhor não é prender os animais. O melhor é não fazer a horta."
A salsa também foi arrancada por acharem que era erva daninha (a salsa timorense não tem cheiro).
Entretanto surgiu a minha ida para Díli e achei que era um peso demasiado grande para as professoras, os pais apareciam apenas de vez em quando e não tínhamos dinheiro para pagar a uma pessoa que só trabalhasse na horta.

O percurso da Casa Aberta às Crianças é rico em histórias iguais a esta. É para mim um privilégio ter uma mala feita de tantas histórias e experiências que me foram moldando como pessoa.