quarta-feira, 11 de março de 2009

Os primeiros dias

Já cá estou há quase uma semana. Em determinada perspectiva parece que nunca daqui saí. No entanto, há outra, a mais cruel, que me faz perceber que de facto me ausentei durante 2 meses. O que é que não acontece em 2 meses? Deixem-me explicar: a sala do ATL foi convertida em quarto para alugar, os dois motores da bomba de água misteriosamente avariaram, um dos baloiços do recreio partiu-se, os carros da infantil estragaram-se, a minha bacia de lavar a roupa foi transformada em balde para transportar terra, os dois cocos para tirar a água da casa-de-banho desapareceram juntamente com o balde para tomar banho, a sala de arrumos do G.A.S.Porto foi transformada em quarto pelo que tiveram de mover todos os caixotes para partes incertas (ainda há caixas por encontrar) depois de os terem abertos (já vi por aí o meu detergente a ser usado)... deve haver ainda mais algumas transformações que ainda não me dei conta.Devo dizer que estou bastante surpreendida com o andamento do Jardim Infantil. Sinto mesmo os meus meninos diferentes, mais despertos, já sabem as letras AEIOUSTB e contar até 10 em tétum e português. Cantam músicas em tétum e português, e sinto-os muito mais sossegados e menos traquinas. Já não pedem para ir à casa-de-banho de 5 em 5 minutos. Até se esquecem (por isso, hoje tivemos mais um pequeno "acidente"). Rui (Perafita), não sei se estás a ler, mas devo dizer-te que os miúdos adoraram aqueles brinquedos que me deste, principalmente aqueles barulhentos. Então esta semana o tema é AS PLANTAS e estávamos a ler uma história sobre uma árvore e eu pergunto: “As árvores são grandes como o quê?” E uma: “Como o nariz da professora malae (estrangeira).” Risota total. Ah, o Mickey e a Nina (os caracóis da infantil, lembram-se?) morreram durante as férias do Natal (à fome), por isso adoptaram-se mais 3 caracóis enormes. A sério, nunca vi tal.Fiquei um pouco assustada quando vi a nossa horta: estava um matagal. Até que fiquei a saber que já tinham sido as colheitas. Este ano houve muita chuva que estragou as plantações de milho e feijão. A nossa horta foi das que deu mais milho (embora pouco). O que significa que, estando o milho na base da refeição dos timorenses, o preço vai subir e haverá muita fome. As cenouras, ervilha, alface, couves e feijão morreram. Conseguimos algum feijão-verde que foi adicionado ao leite das crianças. O milho vai ser usado para plantar outra vez agora em Abril. Por isso, já arregacei as mangas e pus mão à enxada para preparar a terra. E é claro que já tenho as habituais bolhas.A chuva continua e, com ela, os mosquitos. Logo na minha primeira manhã acordei com uma aranha gigante na parede. Ainda vim cá fora ver se alguém podia matá-la, mas estava toda a gente ocupada e tive de ser mesmo eu :s Com a chuva vêm também as lesmas que me deixaram um rasto a toda a volta do meu mosquiteiro que me ilumina durante a noite.

2 comentários:

  1. maria joão catequista na Igreja da Lapa14 de março de 2009 às 01:18

    olá menina,que confusão para aí vai....não te podes ausentar! Mas tem calma pois vais conseguir pôr tudo na ordem.....só que levará algum tempo....estamos aqui a torcer por ti! beijinhos e até breve!

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  2. Olá,o modo de vida e de "ver" o que é do outro é muito diferente de cá...e pelos vistos não é nada fácil chegar aí 2 meses mais tarde e ver tudo "perdido", mas dá para sentir que tembém há muita coisa boa que compensa essas "perdas" materiais. Continua a lutar, amiga, pois pessoas como tu há poucas neste mundo...tenho muito orgulho em ti. Beijinho e vai dando notícias...

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