sábado, 21 de março de 2009

Ao final de 2 semanas

Já cá estou há 2 semanas... e que duas semanas. Já posso dizer que no dia em que cheguei a Aileu (sábado) fui internada no hospital com uma crise renal. As dores começaram ao final da tarde e achei que podia ser um mau jeito. Fui tomar banho ainda com dores (cada x mais fortes) e comecei a vomitar. A Avó (a australiana) viu-me e disse-lhe para me levar ao hospital. Por sorte estava cá o condutor da mana Lu com o camião e assim chegamos ao hospital rapidamente. Mandaram-me esperar (embora eu continuasse a contorcer-me toda e a vomitar) e finalmente deram-me uma cama. Perguntaram as perguntas do costume e disseram que iam buscar uma injecção. Passados 10 minutos de gritos e inquietudes, chegou a médica cubana que me disse: “Vou buscar a injecção.” Mais 10 minutos de aflição em que eu só dizia à Avó que queria morrer. Passados 5 minutos chegou um enfermeiro que me disse: “A injecção já aí vem.” (deixem-me referir que devia ser 20h e que eu era a única paciente no hospital, sendo que estavam presentes 3 enfermeiros, 1 médica e um cão). Comecei então a gritar muito alto das dores, até que finalmente a injecção veio que demorou mais 5 minutos a ser preparada e foi injectada um pouco ao lado pelo que me fez gritar ainda mais, mas aliviou as dores ligeiramente durante 5 minutos para voltar a sentir dores no seu auge, pelo que me puseram a soro misturado com qualquer coisa que eu vi a porem. A partir daí fiquei um pouco grogue e não me lembro de muita coisa. Lembro-me de acordar várias vezes durante a noite com dores e de me terem vindo lavar de manhã. Sei que esteve lá muita gente a ver-me mas só me lembro de sombras. Eram 2h da tarde de domingo quando acordei sem dores. Queriam levar-me para Díli, mas havia duas pessoas em estado muito grave que entretanto deram entrada no hospital, uma mulher com um aborto e uma criança com malária num estado avançado. Como não estava a sentir dores, pedi para ir para casa. E assim foi.... No meio houve muitas visitas, e acho que posso afirmar que com 3 internamentos, o hospital tinha 50 visitantes ao mesmo tempo mais os cães, ao ponto de eu ter dado um berro e ter mandado toda a gente calar-se, e alguns decidiram sair. No momento da entrega dos medicamentos, foi engraçado. Vieram entregar-me dois plásticos, um com paracetamol, o outro eu perguntei o que era e disseram-me com hesitação que era para as dores. Eu disse que não precisava paracetamol porque já tinha em casa, então o enfermeiro pegou nos dois medicamentos e levou para dentro. Passado algum tempo, chega outra enfermeira com um medicamento diferente na mão e diz-me para tomar. Eu pergunto se é para tomar com paracetamol (já que era diferente), ela hesita e diz que sim. Sei que as manas é que ficaram com os medicamentos e já em casa vi que me tinham dado 3 medicamentos diferentes. Tenho bebido muita água e às vezes sinto uma ligeira impressão nos rins, mas não são dores. Só sei que nunca conheci dores piores do que esta.O trabalho... Tenho passado um pouco os dias com reuniões e a preparar materiais auxiliares de ensino. Comecei com as aulas de informática às educadoras da infantil. Passo cerca de 1 hora na infantil por dia para poder fazer a análise do que se passa para abordar alguns aspectos ainda a melhorar nas nossas reuniões de trabalho. Para os miúdos têm sido uma festa e agora sinto que já nenhuma criança tem medo de mim, por isso já nenhuma me respeita, em vez disso só me saltam em cima “Professora, leva-me ao colo, atira-me ao ar, leva-me às cavalitas...”.Já meti as mãos à horta, mas desta vez de luvas (mesmo assim tenho uma bolha). Estou a preparar o terreno para plantar milho.O ATL estava um pouco parado quando cheguei, por isso foi necessário dar-lhe um pouco de corda. Um dos educadores não pôde continuar o trabalho (mas em vez de me avisar, não, simplesmente deixou de vir como se não tivesse qualquer responsabilidade). Temos um novo educador, muito tímido, vamos ver como ele se aguenta. Já faltou à primeira reunião de trabalho. Embora não seja desculpa, vou pensar que devido à chuva naquele dia, ele não pôde vir. Quando eu cheguei, 1/3 da sala do ATL tinha sido convertida em quarto (sentido de aproveitamento). Entretanto já desmanchamos aquilo. Porque é que não conseguem manter as coisas como está?Esta semana também foi continuar o curso que o Rui começou no ano passado com as estudantes do ISMAIK: curso de informática. Sim, eu sei, não sou a pessoa mais indicada, mas para aquilo que elas precisam de saber, acho que estou à altura.Tirando umas reuniões, às quais a malta falta, está tudo a correr bem. Agora, se falarmos de comida...Quanto aos animais, já sei que todos querem saber daquela cabra que comeu os feijões. Penso que deve ter ido para o prato de alguém (felizmente), porque não a voltei a ver. A ratagem tem andado sossegada, às vezes aparece um ou outro, mas não vem para ficar (há quem diga que como ainda há comida nas hortas, eles não vêm procurar em casa). Experimentei a ratoeira que o meu avô me deu, mas ainda não apanhei nenhum. Os mosquitos é que estão em força, devido ao excesso de água acumulada. Hoje vim a Díli para uma reunião e vou ficar cá durante o fim-de-semana.

1 comentário:

  1. mjpereira@caetanoauto.pt23 de março de 2009 às 21:14

    clarisse as melhoras....espero que os teus pais so tenham lido este resumo após estares melhor.....impróprio para cardiacos!tem cuidado com os mosquitos e bebe água....tudo de bom!Vai dando noticias! beijinhos saudosos maria joão

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