Caros amigos,
queria apenas chamar a atenção para um aspecto importante que referi há algum tempo. As Sementinhas está integrado numa rede de Jardins Infantis em Timor-Leste, com o nome TaLiHa (Tau Liman Hamutuk - Juntar as Mãos).
Foi criada, informalmente, pelos directores de 11 Jardins Infantis (onde eu estou incluída), com o objectivo de garantir a qualidade da educação pré-escolar em TL, melhorar os nossos próprios Jardins Infantis, dar apoio a outros Jardins Infantis e servir como apoio ao Ministério da Educação de TL na preparação de quadros e programas nesta área (uma vez que a educação pré-escolar não tem sido uma aposta do governo).
As nossas professoras timorenses estão a seguir um plano de formação desde Janeiro de 2009 (tal como já referi numa das minhas entradas em Abril). Muitas delas têm pouca formação nesta área, é frequente terem apenas o nível primário de educação, pelo que é urgente que haja um plano de formação integrado, para depois obtermos o reconhecimento da Australian Catholic University e, assim, garantir às nossas Sementinhas (pelo menos, as minhas) um melhor ensino.
Convido-vos a visitar o nosso site em http://taliha.org, caso tenham algum interesse em saber mais e, quem sabe, contribuir.
Já agora, a D. Mafalda e a D. Lúcia vão agora, no dia 8 de Setembro, começar a segunda semana de formação, com o tema CURRÍCULO. E só para ficarem a saber: esta formação vai-me custar $130 por pessoa.
Uma casa aberta às crianças em Timor, mais precisamente na quarta montanha à esquerda, quem vem de Díli... perdida algures numa vila chamada Aileu, Aisirimou
terça-feira, 18 de agosto de 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
O último dia
Chegou mesmo o último dia! Comemorámos 2 coisas: a primeira, o primeiro aniversário do nosso Jardim Infantil que abriu precisamente em Julho de 2008. A segunda foi a "saída da primeira fornada" deste Jardim Infantil.
A euforia começou no dia anterior em que estivemos a fazer brigadeiros com as crianças para o dia da festa e os enfeites da sala. Alguns ficaram de castigo, porque comiam a massa dos brigadeiros em vez de
fazer as bolinhas.
Às 8h de sábado começaram os preparativos com as comidas. Pedimos a colaboração aos pais e cada um trouxe algo para juntar à mesa da merenda. Até o administrador me veio trazer dois bolos e sumos para as crianças. A minutos de começar faltavam 3 crianças, 2 delas eram protagonistas num dos teatros. Estavam todos nervosos com a presença dos pais e algumas coisas ficaram esquecidas. No teatro dos mais pequenos, perante os pais, o sol e a lua tiveram vergonha e já não quiseram abraçar-se. Na música da avozinha, o menino que levava o bolo ficou para trás. No teatro dos maiores, o "dente estragado" só se ria para os pais em vez de fazer cara de "estragado". A professora Lúcia também se esqueceu de vestir a batina para ser dentista. Na poesia, a Domingas esqueceu-se dos gestos. Na música "Escola G.A.S.Porto" trocaram as estrofes. Para alguns, pode parecer uma catástrofe. Para mim, foi mágico. Ficam algumas fotografias que mostram a "qualidade desta escola", de acordo com os representantes da administração. No final, cada criança recebeu o seu boletim de notas, o famoso certificado e uma fotografia da nossa viagem a Díli para recordarem. E ainda entregaram os presentes às professoras.
E aqui fica uma fotografia dos meus “tios”, os donos do restaurante português que muitas vezes me satisfizeram os desejos por comida portuguesa para me dar forças para continuar. Até Setembro!
A euforia começou no dia anterior em que estivemos a fazer brigadeiros com as crianças para o dia da festa e os enfeites da sala. Alguns ficaram de castigo, porque comiam a massa dos brigadeiros em vez de
Às 8h de sábado começaram os preparativos com as comidas. Pedimos a colaboração aos pais e cada um trouxe algo para juntar à mesa da merenda. Até o administrador me veio trazer dois bolos e sumos para as crianças. A minutos de começar faltavam 3 crianças, 2 delas eram protagonistas num dos teatros. Estavam todos nervosos com a presença dos pais e algumas coisas ficaram esquecidas. No teatro dos mais pequenos, perante os pais, o sol e a lua tiveram vergonha e já não quiseram abraçar-se. Na música da avozinha, o menino que levava o bolo ficou para trás. No teatro dos maiores, o "dente estragado" só se ria para os pais em vez de fazer cara de "estragado". A professora Lúcia também se esqueceu de vestir a batina para ser dentista. Na poesia, a Domingas esqueceu-se dos gestos. Na música "Escola G.A.S.Porto" trocaram as estrofes. Para alguns, pode parecer uma catástrofe. Para mim, foi mágico. Ficam algumas fotografias que mostram a "qualidade desta escola", de acordo com os representantes da administração. No final, cada criança recebeu o seu boletim de notas, o famoso certificado e uma fotografia da nossa viagem a Díli para recordarem. E ainda entregaram os presentes às professoras.
E aqui fica uma fotografia dos meus “tios”, os donos do restaurante português que muitas vezes me satisfizeram os desejos por comida portuguesa para me dar forças para continuar. Até Setembro!
quinta-feira, 30 de julho de 2009
A dois dias do fim
Os dias correm e estamos a 2 dias da festa de finalistas. Tem sido uma correria... boletins de notas, preparar as pastas com os desenhos, preparar as roupas para a festa, ensaiar pela milésima vez a dança em que eu digo: "Agora vamos todos para o lado esquerdo.” E alguns vão para a direita. “Agora para a frente.” E alguns vão para trás. “Agora já não quero ser o sol.” “Agora já não quero casar com o sol.” Ai, ai. Que dose de paciência, mas tão doce! Estivemos a fazer as prendas para dar as professoras, aqui vai uma foto para verem como ficou bonito: cada criança marcou o seu dedo na moldura, e os retoques fui eu... adivinhem com o quê? Feltro, claro.
Esta semana cantamos os parabéns à professora Mafalda que fazia anos. E temos o costume “alemão” (dos meus tempos no Colégio de Alemão) de levantarmos o aniversariante na cadeira o número de vezes consoante a idade. Então perguntei: “Quantos anos acham que ela tem?” “17 anos” Outro: “125 anos”. A D. Mafalda faz 45.
Também convidámos o administrador do distrito a participar na nossa festa este sábado, uma vez que ficou encantado com elas quando foram cantar à administração. Hoje o administrador veio lá em casa. Andava preocupado, queria dar um presente às crianças e não sabia o quê. Mais um ponto para As Sementinhas. Eu, claro, no papel de professora disse: “Pode ser um livro.” Ao que ele respondeu: “Pode ser uns refrigerantes?” Eu ia dizer o quê????
A sala está cada vez mais vazia à medida que se tiram os desenhos da parede. Ao mesmo tempo, penso que passou o primeiro ano e sobrevivemos apesar de todas as dificuldades. E sinto orgulho.
O ATL vai também de férias e este próximo domingo teremos a “Pequena Sereia” de manhã e à tarde num piquenique na montanha, no qual não estarei presente, porque estarei no aeroporto de Díli à espera dos novos Gasómetros (4 voluntários do G.A.S.Porto) que irão para Tíbar para uma missão de dois meses. E eu, vou um mês e meio de férias a Portugal (a riscar os dias) nesta próxima terça, com data de regresso já marcada para 20 de Setembro. Por isso, em breve estarei ao vivo e a cores para mostrar que de facto é real.
Ah, financiadores continuam a precisar-se! Até porque já estou a fazer novos jogos para a nova sala da Infantil, e continuo a sonhar que em Janeiro teremos, sim, uma grande escola!!
Também convidámos o administrador do distrito a participar na nossa festa este sábado, uma vez que ficou encantado com elas quando foram cantar à administração. Hoje o administrador veio lá em casa. Andava preocupado, queria dar um presente às crianças e não sabia o quê. Mais um ponto para As Sementinhas. Eu, claro, no papel de professora disse: “Pode ser um livro.” Ao que ele respondeu: “Pode ser uns refrigerantes?” Eu ia dizer o quê????
A sala está cada vez mais vazia à medida que se tiram os desenhos da parede. Ao mesmo tempo, penso que passou o primeiro ano e sobrevivemos apesar de todas as dificuldades. E sinto orgulho.
O ATL vai também de férias e este próximo domingo teremos a “Pequena Sereia” de manhã e à tarde num piquenique na montanha, no qual não estarei presente, porque estarei no aeroporto de Díli à espera dos novos Gasómetros (4 voluntários do G.A.S.Porto) que irão para Tíbar para uma missão de dois meses. E eu, vou um mês e meio de férias a Portugal (a riscar os dias) nesta próxima terça, com data de regresso já marcada para 20 de Setembro. Por isso, em breve estarei ao vivo e a cores para mostrar que de facto é real.
Ah, financiadores continuam a precisar-se! Até porque já estou a fazer novos jogos para a nova sala da Infantil, e continuo a sonhar que em Janeiro teremos, sim, uma grande escola!!
Os meus amigos “Mickey” continuam por cá, gostam aqui do ambiente. Matamos seis na semana passada, mas isso não assustou os irmãos. No outro dia, encontrei um ratito dentro do meu quarto. Descobri que ele entrava por uma frincha minúscula que tenho entre a nova protecção da porta em caixa de CDs e o espaço por onde passa o cabo da extensão (não tenho instalação eléctrica no quarto). Agora tenho, para além dos CDs, do cabo e da esponja, mais uns quantos lápis enfiados na frincha por onde ele poderia voltar a entrar. No entanto, hoje acordei às 6 com um grande a bater-me à porta. Conseguiu roer um pedaço da fita isoladora que tinha na porta. E esta semana encontrei um escorpião no meu quarto, mas ele andava meio zonzo devido ao produto que pus no meu quarto. No entanto, todo o cuidado é pouco.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Nem todos os dias sao dias de sol
A Domingas já faltava há uma semana. Uma das professoras foi a casa dela ver o que se passava. A mãe explicou que a Domingas só vai à escola se a mãe lhe der dinheiro. Mas a mãe decidiu esta semana não lhe dar... e a Domingas não veio à escola... A Domingas é apenas um exemplo, mas isto acontece com a maioria das crianças...
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Novas mafarriquices
Começámos os “exames” orais das crianças. E é engraçado que mandámos um aviso aos pais para mandarem os filhos, especialmente esta semana, à escola (o que também não faz muito sentido, porque partimos sempre do princípio que as crianças vêm todos os dias à escola, o que não é o caso em Timor). E o mais engraçado é que precisamente nesta semana têm-nos faltado cerca de 10 crianças por dia (e sempre as mesmas).
O Tiago e a Vânia são os casos mais difíceis. Não podemos fazer mais por eles. Simplesmente o seu cérebro não se desenvolveu quando devia... São dois casos, cuja intervenção deveria ter começado logo à nascença. São problemas essencialmente de malnutrição. Quando eu pensava que a Infantil podia “salvar” todas as crianças, afinal não podia. A malnutrição... a todos os níveis. Mulheres com tuberculose que, mesmo tomando os medicamentos, nunca recuperam devido à alimentação que têm. Perdem as forças com a doença e também não podem trabalhar no campo, atenuando ainda mais a situação de carência alimentar. Mulheres malnutridas que não podem tomar a vacina contraceptiva, porque as menstruações são irregulares devido à malnutrição. A natalidade sobe e a fome também. Mas também é porque não sabem. Lembram-se da Maria bebé que mora aqui connosco. A bebé é mesmo gordinha, porque enchem-na e enchem-na de arroz. Não come fruta, poucos legumes. Numa terra tã
Graças à Isabel em Díli, as crianças da Infantil recebem, todos os dias, uma tigela de arroz com pó nutricional. Se virem a pôr o pó, já não querem; se não virem, aquela merenda é uma coisa nutricional. Dizem que querem ficar forte como os portugueses e inteligentes como o Avô Xanana, e comem tudo. No entanto, o arroz desaparece e não é do ratito que ontem encontrei a sair de dentro do saco. Às vezes entro na cozinha e estão as estudantes a comer o mesmo que as crianças. Já sabia que iria acontecer, mas não posso fazer nada para que não aconteça.
Ontem houve outro incêndio, tal como no ano passado, mas desta vez foi do lado esquerdo da nossa casa, uma montanha deserta do nosso lado e com cafezais e casas tradicionais do outro. Quando me apercebi do fogo, ainda estava do início. Perguntei às manas se não devíamos ligar aos bombeiros e recebo como resposta: “Não, que eles ainda nos acusam de termos posto o fogo.” Liguei de imediato e pedi a uma estudante para falar com eles e ela, acanhada, nem abre a boca e diz-me para esperar. Pego no telefone e falo. Fui até à base ver se estava lá alguém a pôr fogo, mas não estava. Dizem que vêm logo, e por acaso vieram... de mota e com dois extintores. É claro que eu lhes perguntei se eles achavam que eu estava a brincar quando disse que a montanha estava a arder. Os extintores nem saíram das motas, e os quatro lá começaram. Estava muito vento e, em pouco tempo, a frente já tinha passado para o outro lado da montanha. Agora, temos uma montanha preta, mas ninguém se importou na altura, nem importa. É igual. Para muitos, é um terreno que agora pode ser plantado.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Sessao de cinema
Presentes estavam algumas crianças da Infantil e ATL com os respectivos pais e ainda outras crianças pertencentes à comunidade de Aileu. Daqui a 2 semanas será a segunda sessão, ainda escolher entre "A vida das formigas" e "Pocahontas".
A chegar ao fim do ano lectivo
- Primeiro, não podíamos dar aulas da parte da tarde durante a época das chuvas, porque chove sempre à tarde
- Segundo, 9 horas era demasiado tarde (de acordo com as opiniões locais), e mudámos para as 8.30.
- Terceiro, pusemos uma turma a começar às 8.30 e outra às 10. Mas como não há relógios, todas vinham ao mesmo tempo e era uma grande confusão, por isso tivemos de pôr as duas turmas à mesma hora.
- Agora que chegou o tempo seco, o primeiro mês e meio é um frio desgraçado. Entre as 19h e as 8.30h é um frio que não se aguenta (coincidindo com o pôr e nascer do sol). E é claro que para as crianças é muito doloroso tomar banho com aquele frio para estarem na escola pouco antes das 8.30h. Por isso, tivemos de mudar novamente o horário para as 9h.
Resumidamente, agora temos um horário para o tempo das chuvas e outro para o tempo da seca... e já gastei cartolinas que eu sei lá, para fazer os horários.
Ainda se
A escola está a chegar ao fim. Os exames estão à porta, já começam na próxima semana. Em três semanas faremos a festa de “finalistas”. Começámos já os preparativos: teremos dois teatros, dança, poesia e canções. Da minha parte, já estou a preparar as fatiotas e as ofertas para os finalistas. A 2.ª infantil vai apresentar um teatro sobre a saúde dentária, em que uns podem ser o ”dente bom”, outros uma cenoura, outros um tomate, outros o “dente mau”. Os da 1.ª infantil estão meios contrariados, principalmente os dois protagonistas. A história é sobre o Sol e a Lua que se casam e têm muitos filhinhos que são as estrelas. Agora, é claro que o Sol e a Lua estão bastante contrariados, porque acham que vão ser gozados por todos. Aliás, vejam a primeira foto: conseguem descobrir os protagonistas? É que vê-se logo (são os dois da frente).
Na semana passada tive uma reunião daquela rede restrita a 12 infantis de directores de Jardim Infantil em Timor-Leste. Parece-me que me coube a mim de na próxima reunião ensinar a fazer fantoches em feltro. Penso que em Outubro já teremos as nossas professoras em formação.
O ATL também irá de férias brevemente. Faremos um piquenique no cimo da montanha. Mas como a escola para o próximo ano lectivo só começa em Janeiro, estamos a pensar continuar as duas escolas (em part-time) a partir de Outubro.
Outras novidades: Só as do costume... os ratos! Apanhei um enorme mesmo a passar à frente da porta do meu quarto. Tive que fazer uma limpeza ao armário da sala e deitar muita coisa fora porque estava cheia de porcaria de ratos. Eu tinha comprado um armário em Díli com porta... tinha, mas um Kinder: o vendedor vendeu a outro quando o ia buscar. Por isso, neste momento, estou à espera de um orçamento para pôr umas janelas no armário cá de casa.
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