segunda-feira, 26 de março de 2012

4 semanas depois

Depois de 4 semanas sem ir a Aileu devido à picada de um certo mosquito que transportava um certo vírus chamado "dengue", chegou a altura de ir ver o trabalho feito na minha ausência. E que belo trabalho. Uma vez que não pudemos ter as habituais reuniões de trabalho, as professoras juntaram-se e fizeram um plano de trabalho, com encontros marcados às sextas depois das aulas.

E ainda fizeram fichas para a avaliação de cada uma. Sinceras e exigentes...
Disseram-me que não precisava de cansar-me e vir tantas vezes a Aileu, porque podiam bem fazer as coisas sozinhas...

Com estas 4 semanas de ausência, aprendemos as cinco uma grande lição e demos um passo em frente, rumo à independência...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Apresentações e progressos

Apresento-vos a Francisca:

A Francisca é a nova assistente da D. Lúcia. A Beatriz conseguiu entrar num curso de formação de professores em Díli e teve de nos deixar. A Francisca é uma senhora mais madura, com alguma experiência de ensino primário, mas sem formação formal. Estará este mês em experiência na nossa escola. Ainda não tivemos oportunidade de nos conhecermos bem, mas algo que apreciei: tinha preparado a leitura de uma história para nos apresentar na reunião de trabalho. Apreciei o esforço!
Apresento-vos também a Maria – que já conhecem - e o Giovanni.

O Giovanni foi mais uma das crianças abandonadas pelos pais que esteve ao cuidado da Mana Lu em Dare e que, este ano, por já ter 4 anos, veio para Aileu para a nossa escola. Com os dois é o fim da macacada. Em casa, sobem a uma cadeira para praticarem no quadro as letras que já aprenderam na escola. A Maria, apesar de ainda ter 3, já anda lá na escola, uma vez que sempre estive em contacto com as nossas crianças. Penso que foi graças a isso que hoje fala, porque até há um ano atrás não dizia nada.

Esta semana estivemos a treinar os puzzles. Enquanto as via a treinar, foi quando me apercebi da importância deles e da dificuldade que têm ao fazê-los.

Parece estranho, porque para mim é um dado adquirido – tentar perceber a imagem em cada peça (o direito e contrário), se tem uma saliência procurar outra peça que tenha uma recorte – tudo isto é um conceito novo. Para mim, algo que tem um recorte encaixa numa saliência, claro! Para elas, não é assim tão óbvio. A falta de imagens e conceitos é algo que ainda me fascina. Nesse aspecto, penso que a escola não tem sido só para as crianças. Se eu pensar no caminho que já percorremos, é muito difícil sequer explicar o progresso.

Umas das coisas que também me deixa contente é que elas, por iniciativa própria, sem sequer me dizerem, se reúnem agora à sexta-feira à tarde para praticarem as matérias. Fantástico, certo? Vamos recuar apenas dois anos, em que vinham para as aulas e era quando viam o programa pela primeira vez. Ou, por exemplo, ver a D. Mafalda, sempre a mais “difícil” de todas, me apresenta uma leitura fluida de uma história com gestos, diferentes entoações de voz, quando até à um ano atrás era tudo a solavancos. O que posso chamar a isto? Progresso!

Ou até mesmo vê-las a falar da escola e dos programas à Francisca, das regras e das tarefas partilhadas, da importância dos assuntos internos serem resolvidos dentro da escola (e não com os vizinhos)... Progresso!

O meu coração está agora 85% tranquilo.

Ah, os primeiros rabiscos já começam a aparecer a enfeitar as nossas paredes. Este desenho é de uma criança de 4 anos!


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Conquistas e trabalhos

Com um certo atraso na escrita deste post devido a imprevistos que ocorrem frequentemente, e como a informação já não está tão quente, ficam apenas algumas palavras sobre o nosso último encontro. Para começar, mais uma conquista: nosso tão desejado baloiço! Os doadores ainda são anónimos, mas graças a eles demos mais um passinho na nossa caminhada.


De resto, um pouco daquilo que planeamos fazer este ano nas reuniões de trabalho.

Não, não estamos a jogar às cartas em vez de trabalhar, mas sim a treinar o jogo do Dominó. Um dos temas que pretendo trabalhar com elas este ano é os jogos para me certificar de que os sabem mesmo os usar e não ficam arrumados na prateleira. (constatei que não sabiam bem jogar).

O caminho de regresso... atribulado. Com um pneu furado logo à saída de Aileu sob uma chuva torrencial durante todo o caminho.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Primeira ida do ano

O ano arrancou devagar... como sempre acontece. As crianças vão "aparecendo". No domingo, eu e a Anne Fisher, formadora das professoras, arrancámos rumo a Aileu, pela primeira vez, no meu carrinho que, não obstante a lama, buracos cheios de água em que não se vê o fundo, e sem tracção, se portou lindamente.
A reunião com os pais estava marcada para as 11h. Fizemos a distribuição das camisolas (agora já querem calções, tenho de ir ver isso) e referiu-se alguns aspectos da rotina escolar.

Novidades boas: temos agora electricidade 24 horas (a questão é, até quando). A única coisa que me ocorre mudar é passarmos a ter um rice cooker e dispensarmos a lenha. De resto, estamos tão habituados a não ter electricidade que nem sabemos o que fazer com ela.

As professoras fizeram uma visita guiada à Anne. Claro que a presença dela foi extremamente importante; no fundo, é a professora delas! E poder mostrar o trabalho... é uma grande honra.

Preparámos também o nosso programa de formações comigo, porque temos uma disciplina nova: Literacia. Para já, para o 1.º período, o objectivo é através de fotografias colocar questões abertas, ou seja, que requerem respostas mais abrangentes; e identificar semelhanças e diferenças entre objectos. Isto será aplicado às crianças. Com as professoras, continuarei a insistir na prática de leitura e na utilização dos jogos.

Este ano vai ser um ano importante... pode ser o último, para mim. Por isso, temos muito trabalho pela frente. Neineik, neineik!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

1.º uniforme escolar

As Sementinhas proudly presents:

O seu 1.º uniforme escolar

sábado, 31 de dezembro de 2011

No final do ano

Ainda que termine o ano, não posso deixar de fazer menção ao maun Sérgio que foi comigo a Aileu antes de irmos de férias.
O maun Sérgio esteve a revestir a parede sobre a qual já falei várias vezes... a da sala dos 5 anos que tem infiltração de água e está sempre "esverdeada". Isto porque os nossos amigos Armando e Abílio, para além de me terem apresentado esta possível solução (sem ser necessário derrubar a parede), ofereceram o produto de isolamento. Vamos aguardar!

Isto foi num dia em que se levou um bolinho, fez-se uma breve avaliação do ano e se festejou o Natal em Aileu.

Mais uma semana e arrancamos um novo ano lectivo!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Lourença

Não tem havido grande escrita, porque andamos todas num lufa-lufa até às férias de Natal. Há que fechar o ano e preparar o próximo.

Para já está a Lourença por Díli na formação de professores. Aproveitando a estadia dela esta semana, fomos hoje tratar de algumas coisas que eu queria que ela aprendesse para que um dia que eu não esteja, seja ela a assumir. Primeiro fomos tratar de uma coisa que tem sido uma luta anual para mim mas que decidi abdicar porque na verdade a escola é para a comunidade: UNIFORMES! Bem, mas pelo menos quiseram só a parte de cima com o emblema da escola e os pais disponibilizaram-se a pagar - US$5. Se há coisas que eu devo respeitar é a importância das fardas em Timor e o brio resultante. É um "achievement" - muito difícil de explicar em Português. Deixei-a à vontade para escolher as cores (lá escolheu o beige que suja menos) e negociar com o dono da loja, é importante que seja ela. No fim, queria que o dono ficasse com o meu contacto, mas eu disse-lhe que tinha de assumir responsabilidades mais burocráticas e começar a ser menos o meu rosto e mais o dela a ser conhecido.

De seguida, fomos conhecer o senhor que nos vai fazer os baloiços. Deixei logo claro perante os dois que seria ela a comandar as tropas quando fosse a montagem... O senhor, claro, perante uma mulher timorense, ainda rematou dizendo que me contactaria a mim se tivesse algum problema, porque apesar de mulher, não sou timorense. Mas é bom, mais uma vez, que haja um envolvimento não só meu.

O próximo passo é o banco...

Também me disse, toda dinâmica, que tinha ido ao Centro de Educação falar dos contratos e fazer uma avaliação - bastante positiva, reforçada também por uma representante da Educação na nossa festa dos finalistas.... E que depois foi falar com o Chefe de Suco porque é importante para a nossa relação com a comunidade e porque uma outra ONG queria construir uma escola ao lado da nossa e que não tinha jeito nenhum... ou seja, uma rapariga que eu respeito muito pelo dinamismo e potencial, pela incansável dedicação à escola, e pela confiança e respeito que tem por mim... E acabo por dedicar esta entrada a ela, porque quando se encontra alguém especial deve-se louvar e fazer sobressair... E de certeza que não é pelo salário que recebe, porque infelizmente ainda não lhe posso dar o que ela merece. Mas é mesmo pela entrega à causa. Um bem-haja!