domingo, 29 de maio de 2011

Reunião de pais

Díli, partida às 7h, com reunião de pais marcada em Aileu às 9h. A Gandhi ofereceu-se para ir comigo de mota. Grande aventura, 2h e tal de viagem, com algum receio principalmente nas subidas.
Chegámos eram 9.15h e eu estava preocupada com o chegar atrasada. Mas não obstante os anos de experiência.... claro que a reunião começou às 10.30h.

No programa estava:
* apresentação das actividades da Infantil (entrega de folheto informativo)
* apresentação de contas (nomeadamente dos recentes subsídios que recebemos)
* apresentação das actividades do ATL
* apresentação de contas do ATL relativamente à contribuição dos pais para comprar material de costura

Os pais, apesar de representarem 1/3 das crianças que temos, mostraram-se muito participativos e interessados, contribuindo com novas ideias, nomeadamente no que se refere ao ATL (ex. ensinar a cozinhar). Alguns pais mostraram-se preocupados e perguntaram se os rapazes também aprendiam a costurar, ao que a Lourença respondeu: "Não, eles fazem carpintaria." A Lourença está uma perfeita gestora da escola e todo o programa é concebido por ela. As crianças já voltaram para as sessões de cinema.

Também tinha ouvido rumores de que as crianças não vinham ao ATL, porque nós não dávamos lanche e que preferiam ir às madres porque lá comiam bem. Tivemos a explicar que o nosso orçamento era bastante reduzido e que a maior parte dos fundos era canalizado para a Infantil dado que era a tempo inteiro. Mas depois de ter explicado todo o conceito do ATL, penso que perceberam. Até porque eu fiz questão de dizer (pk estou farta destas "iscas" que criam dependências e levam a "más motivações", provocadas pelos malaes que por cá passam), que o objectivo da escola é dar um futuro educativo às crianças não obstante a importância da comida.

A Lourença geriu totalmente a reunião sem eu lhe ter dito nada.
Fartou-se de louvar a nossa escola pelo espírito inovador, quer em termos de programas e disciplinas, quer em termos de presença das professoras. No fim, convidaram-se os pais a vir participar nalgumas sessões e a ajudar as professoras com o nosso programa especial do Dia Mundial da Criança, 1 de Junho.

Sabemos que as nossas virtudes têm de sido postas em prática. Um dos pais veio falar connosco, porque o filho recebeu o prémio da delicadeza na 1.ª semana. Estava contente!

E pronto, terminada a reunião, toca a almoçar e descer a montanha no nosso super meio de transporte. Chegadas a Díli, já nem sabíamos onde nos doía.

domingo, 15 de maio de 2011

Uma segunda de chuva

(A mensagem anterior sobre o subsídio foi retirada dado termos descoberto que fomos falsamente informados. Mas a luta continua!)

Há coisas que correm mal, mas logo a seguir vem algo de bom. Segunda fui convocada para uma reunião em Aileu com o Centro de Educação. O assunto era: subsídios escolares. O Ministério da Educação paga agora uma X por criança por mês às escolas e nós estamos incluídos. Recebemos assim o subsídio referente ao primeiro período para gastos apenas em material escolar. Ou seja, menos uma despesa. O dinheiro tem de ser gasto de imediato e é exigido um relatório.

A vantagem de ter ido a uma segunda a Aileu, foi a de ter apanhado as crianças na escola. Ainda conseguiram contar-me que nesse dia lerem uma história sobre a chuva, em que a vaca ficava às cores. "E como é que eu me chamo?" "Professora Malae (=estrangeira). Hihihi." A virtude era a Gentileza: "Quem sabe dizer porque é que a Professora Malae é gentil para nós?" "Porque ela traz-nos comida!" A reza final foi em português.

E, como começou a chover, puderam ainda usufruir mais um pouco dos brinquedos antes de regressar a casa. Alguns quiseram praticar as letras ("Professora, não encontro o M!"):

Outros quiseram brincar às cozinhas:

Outros ainda, no meio daquele barulho da chuva a bater na chapa, quiseram fazer música:
Pareceram-me todos felizes! E eu também fiquei.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Acabaram-se as férias

Após 2 semanas de formações, mais 2 semanas de descanso, e com o arranque das aulas à porta, a nossa mesa de trabalho no sábado estava assim, cheia de papéis espalhados por organizar:
Praticamente todo o horário teve de ser mudado e, por conseguinte, as actividades. Inserimos mais uma disciplina no nosso programa: Desenvolvimento de Virtudes. A ideia é, através de histórias específicas (feitas para a própria disciplina) transmitir virtudes às crianças como Responsabilidade, Gentileza, Honestidade, Paciência, Coragem, Perdão, etc.

Em cada sala haverá também uma Árvore das Virtudes, onde se porá o nome das crianças que durante uma semana demonstrarem uma virtude nos seus actos. Por isso, estivemos a praticar a virtude para as próximas 3 semanas: Gentileza. Cada virtude é abordada duas vezes por semana, ao longo de 3 semanas. O tipo de abordagem varia de dia para dia. (D. Lúcia a praticar a leitura:)

No ATL pensou-se em fazer uma reunião de pais. Ao que consta tem havido uma certa desconfiança dos pais, porque a Lourença pediu dinheiro para comprar linhas e agulhas (as crianças pediram para aprender a costurar/bordar). Achamos que será necessário apresentar as contas e incentivar os pais a participar mais.

Há ainda algumas surpresas, mas fica para outra vez. Desta vez, segue uma fotografia inspiradora, tirada no domingo:

sábado, 16 de abril de 2011

Ainda de boca aberta

Foi assim à chegada... Era dia de festa, por isso os melhores fatos foram tirados dos armários, as jóias, os cabelos.... estava tudo no seu lugar, à espera dos convidados....

Hoje, dia 16 de Abril de 2011, foi a cerimónia de graduação do primeiro grupo de professores da TaLiHa (ao qual As Sementinhas pertence, http://taliha.org). A D. Mafalda e a D. Lúcia, de batinas pretas e salendas, receberam o Certificado de Ensino e Aprendizagem, emitido pelo Instituto Católico para Formação de Professores de Baucau e a Universidade Católica da Austrália.
Após dois anos de árduo trabalho, são agora professoras certificadas. Orgulho é a única palavra que tenho neste momento para descrever o que sinto. É que eu nem sei explicar porque é que foi importante. É que há coisas que nos acontecem aqui, o motivo pelo qual acontecem e o contexto no qual acontecem, que nos deixam a boca aberta, pela positiva...

Hoje recebi um prémio também. A manhã foi passada a fazer de intérprete numa outra formação que tiveram sobre virtudes e emoções. De repente, alguém se levanta e diz: "eu queria dedicar a virtude da honestidade à mana Clarisse, por nos ter contado alguns aspectos negativos da sua escola à nossa frente."
Eu fiquei assim sem reacção e no fim fui agradecer-lhe e ela diz-me: "A mana é uma boa pessoa." Foi assim como um peso; é como se... de boca aberta e a tentar digerir.

domingo, 3 de abril de 2011

Fériaaaaaassssss!

Fériaaaaaassssss! Num instante chegámos ao final do primeiro período lectivo. Dia 4 de Abril é o primeiro dia de 15 dias de formação em Díli para a D. Mafalda, D. Lúcia e Lourença. E, digno de se dizer, a cerimónia de graduação da D. Mafalda e D. Lúcia, onde irão receber o Certificado de Ensino e Aprendizagem pelo Instituto Católico de Formação de Professores de Baucau (dia 16).

Os preparativos para a formação fizeram-se ontem e eu vim carregada de Aileu (costuma ser ao contrário) com os materiais que irão precisar.
Foi uma semana atribulada, todos os dias com os pais na escola para verem os boletins de notas, depois de uma semana de exames.
Esta semana finalizaram-se também as obras para o nosso armazém (leia-se "remendos", como se pode ver na imagem, que me custaram bem caro), por isso ontem foi dia de mudanças.
(tecto falso, remendos e uma placa para a janela)

O nosso armazém era o meu antigo quarto que as manas me pediram para usar como quarto de aluguer. Por isso, foram obras necessárias e agora temos tudo dentro do mesmo edifício.
Alguns materiais estavam roídos pelos ratos, outros com bolor. Alguns puseram-se no "estendal" a apanhar sol, mas definitivamente terei de investir em caixas de arrumos de plástico que são um balúrdio!!! Sim, porque aqui tudo que é em plástico é mais caro do que em metal.
E, antes de ir descansar para uma semana de correrias do trabalho para a formação para levar a comida, merenda, etc., fica mais um registo de um costume timorense (sinceramente acho que é indonésio por causa do nome) que é o Krupuk. De qualquer forma, o processo é esmagar a mandioca e deixá-la secar ao sol em pedaços de folha de bananeira. Fica uma espécie de placa. Depois retirar da folha e fritar: fica uma espécie de batata-frita e é deliciosa!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Agora é fácil de aqui chegar

Este domingo, ao chegar a Aileu, já tínhamos indicação que nos orientasse. À entrada do bairro estava a seguinte placa:

(que tal o telhadinho? Claro que eu tinha reservado a tinta para outra coisa...)

O plano de actividades era começar a pintar as armações das portas e janelas
... e preparar as fichas de leitura para apresentar agora na formação de professores de Abril.

Algumas surpresas menos agradáveis (agora temos de pagar a electricidade pelos 10 min de que usamos diariamente para ferver a água para o leite) e outras bem agradáveis: as identificações dos objectos nas salas de aula estavam feitos (sem erros ortográficos :) ) e os lápis mantêm-se afiados. Na sala da 2.ª infantil continuaram com as formas geométricas e aproveitou-se para rever as cores:

domingo, 13 de março de 2011

Uma ida a Aileu a meio da semana

Uma ida a Aileu a meio da semana era algo que eu já não fazia há algum tempo. Aproveitando a presença da Cristina que veio de Portugal para ver o andamento do projecto da tuberculose, lá fomos nós. Estavam à nossa espera para nos cantarem uma canção de boas-vindas.

Um dos objectivos era a Cristina fazer um exame neurológico à Lourença que diz que está melhor, apesar das dores de cabeça que ainda sente. A Cristina não viu nada de anormal.
Neste dia, as crianças estavam mais calmas do que o normal, sendo fontes presentes. Não sei se era pela minha presença...

Eu também queria ver se andavam a seguir a planificação e deixar ficar alguns trabalhos de casa para as professoras para a minha próxima ida. Conseguimos ainda assistir às seguintes actividades:
Momento das Letras (2.º ano)
Os desenhos sobre o tema "A minha família" (1.º ano)
Actividades de motricidade fina (2.º ano)
Momento de actividade livre (2.º ano)
Conta história (2.º ano)
Rezar para finalizar o dia de escola (1.º ano)
Antes do regresso a casa, nas macacadas antes de regressar a casa
A Maria, a nossa pequenina lá de casa (de 2 anos), também vai à nossa escola. Porta-se bem e tem um "namorado" da turma dos 5 anos. Fica sempre a chorar, porque gostava também de ir com os outros meninos para casa, mas a casa dela é mesmo ali. Por isso, o "namorado" dela dá-lhe sempre a mão e leva-a até junto da mãe. :)
De regresso, passámos por Dare para tomar um chá com a Mana Lu.

Já me questionei se os meus leitores compreendem, porque é que eu me alegro com coisas pequenas. Talvez seja difícil explicar que o contexto local é totalmente diferente do que estamos habituados; para percebermos Timor, temos de conhecer todo o contexto histórico, político, social, cultural, económico. No início desanimava, porque achava que o problema era lá da escola. Mas agora sei que é geral. No outro dia discutia com a "Avó" australiana sobre isso. Ela dizia-me "Mas há dois anos que lhes digo que as crianças têm de levantar o dedo." Fiquei espantada com esta afirmação, vindo de uma pessoa que tem 7 anos de experiência de Timor. Eu tenho noção que, o que eu exijo, é já muito. Por isso, tem de ser um processo gradual. Quando adquirirem algumas competências, haverá espaço para ensinar outras. E é um pro
cesso que vai demorar anos e anos! Às vezes chateia-me, porque vem para cá muita gente que supostamente são "experts", mas que não sabem nada de nada, e vêm com exigências, porque tudo tem de ser como é no país deles. Não sei se me canso mais a ensinar estas pessoas, se a ensinar as professoras. Mas isto para dizer que muitas vezes é uma luta para todas as partes e, por isso, só tenho de me orgulhar...

Já agora, por curiosidade, recentemente morreu um crocodilo aqui e, para quem não sabe, os crocodilos são sagrados em Timor. Foi o crocodilo que deu origem à Ilha de Timor e, por isso, é chamado o avô crocodilo. Bem, o que é certo é que encontraram um (uma cria com os seus módicos 2 metros) que, ao que consta, foi morto, o que só veio piorar a história. Fizeram uma campa, e há quem vá deixar lá flores. Tem uma lápide que diz em inglês: "In Memory of the Crocodile of Timor". Aqui vai a foto: